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Letra: Canção de Lisboa - Vasco Santana

Que negra sina ver-me assim
Que sorte vil e degradante
Ai que saudade eu sinto em mim
Do meu viver de estudante


Nesse fugaz tempo de amor
Que de um rapaz era o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar, cabeça ao léu
Sem me ralar vivia eu
P’ra vadiar e tudo mais eram cantigas


Nenhuma delas me prendeu
Deixá-las eu era canja
Até ao dia em que apareceu
Essa traidora de franja


Sempre a tenir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir, um bengalão e ar descarado
A malandrar com outros mais
E a dançar para os arraiais
P’ra namorar, beber, folgar, cantar o Fado


Recordo agora com saudade
Os calhamaços que lia
Os professores da faculdade
E a sala de Geografia


Invoco em mim recordações
Que não têm fim essas lições
Frente ao jardim da velha casa iscspiana
Aulas que eu dava e se estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana


O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Dá gosto à gente ouvi-lo até
Na rádio ou telefonia


Quando é cantado com calor
Bem afinado e a rigor
É belo o Fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular
Tem emoção, faz-nos vibrar
E eia a razão de eu ser Doutor e ser Fadista