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Passado o último dia da farra e da folia
Chega a hora de estudar
E o amigo Zé Caloiro trabalha que nem um mouro
Na arte de emborcar
Ele é um bom companheiro, é um gajo tão porreiro
A pagar copos à malta
Mas agora tudo passa, quando chega a ressaca
E dá com os cornos na pauta

Ai mas que sonho tão mau, que destino tão cruel
Não há uma positiva, não há uma positiva lá no raio do painel

Chora agora amargurado, o filho desnaturado
Nem sequer vai à oral
Agora ficou doente, enfrascou-se na aguardente
E acordou no hospital
Resolveu ligar para casa, já com um grão na asa
A pedir consolação
Mas o pai é um tirano e não foi nada bacano
Ao cantar-lhe este refrão

Diz o pai tão carinhoso para o seu rico filhinho
"Ou começas a estudar, ou começas a estudar ou eu parto-te o focinho"

Perante tais argumentos, concentrou os seus talentos
Passou noites a estudar
Encontrava-se vencido mas valeu-lhe um amigo
Que o ensina a cabular
Gira a roda do destino e o caloiro tão franzino
Afinal é um marrão
E fez todas as cadeiras e com notas tão porreiras
Que passou com distinção

Se querem moral para a história, saibam que não há moral
Assim estuda muita gente, assim estuda muita gente neste belo Portugal. (x2)